Queridos amigos e leitores, o blogue Flores Cores e Amores teve durante muitos anos uma periodicidade diária de publicações. Porém, no último ano ou mais, deixei de conseguir dedicar-me, como gosto tanto, ao meu cantinho digital. Tenho optado por interagir mais no Instagram, por ser mais imediato, me ocupar menos tempo e é uma rede social de que gosto bastante. Porém, ando sempre com o Flores, Cores e Amores na cabeça, sem saber muito bem o que lhe fazer.
2020 foi um ano péssimo para toda a gente, horrível para mim. Perdi quatro pessoas da minha família, uma delas o meu querido pai, assunto sobre o qual já aqui falei. E confesso que isso me roubou um pouco da minha inspiração e vontade. Também o facto de estar envolvida noutros projectos fez com que o meu tempo ficasse muito reduzido e a minha cabeça não deu para mais.
No entanto, aos poucos, sinto que vou renascendo, uma espécie de desconfinamento pessoal e vou recuperando alguns dos temas que deixei com pontas soltas. Um deles é o meu segundo livro e finalmente retomei a sua escrita, que vai agora fluindo, para ver a luz do dia o mais breve possível.
Há algumas semanas decidi que 2021 seria um ano ideal para renovação e para operar algumas mudanças. Aproveitar para arrumar gavetas, rasgar papelada, organizar documentos, dar coisas que não preciso e outras deitar fora. No fundo, sinto que é o libertar de más energias, para dar espaço a boas energias. Afinal, espero ter muitos anos pela frente e pretendo gozar cada dia da melhor forma possível. E ter tudo mais arrumado faz bem à cabeça.
E por falar em cabeça... também por aqui há mudanças. Já andava há muito tempo a querer deixar de pintar o cabelo. Como o meu cresce muito rápido, depois de o pintar, em pouco mais de uma semana já se começavam outra vez as ver as raízes brancas e era um martírio. E com tantos anos de tinta, estava a começar a ficar crespo, estragado e a cair muito. Porém, a coragem faltava-me e também os comentários de várias pessoas não ajudavam.
No entanto, aproveitando o embalo dos cabeleireiros fechados e de me encontrar em teletrabalho, resolvi de vez fazer aquilo que me apetecia. Não pinto o cabelo desde o início de Outubro. E não consigo explicar a sensação de libertação que isso me dá. Não nego que é um processo chato, que por vezes parece feio, mas a maior parte do tempo estou a adorar e ainda não tive vontade de voltar atrás nesta decisão. Para minimizar o impacto, tenho feito rabo de cavalo, outras vezes uso bandoletes ou lenços. Mas a verdade é que estou a gostar dos meus cabelos que parecem prata e de ver nos outros a sua cor real, coisa que não via há muitos anos.
No Instagram, há uma página que se chama Clube das Grisalhas, onde muito me inspiro e houve uma frase publicada que não me sai da cabeça "Numa sociedade que lucra com a sua insegurança, gostar de si é mesmo um acto de rebeldia". E é assim que me sinto, segura e a gostar de mim como sou, independentemente das vozes que se erguem a dizer "és muito nova para assumir os brancos" ou "isso vai-te envelhecer". Resposta para esses comentários? - Não quero saber. Entretanto tenho tirado fotografias do processo da minha grisalhice e pode ser que um dia vos mostre aqui.
Bem, a conversa já vai longa, queria dar-vos nota deste meu confinamento, sem prometer nada ainda sobre a periodicidade de aqui escrever, mas com muita vontade de regressar.
E desse lado, como estão? Quero saber tudo!